2009
11.07

Quer fazer projetos de qualidade? Comece tendo bons Mestres!

Muito do que aprendi ao longo dos anos como webdesigner é fruto de muita leitura artigos em excelentes blogs, cujo feeds RSS moram em definitivo no meu Google Reader. Aprendi muita técnica sobre design, cores, tipologia, usabilidade, acessibilidade, além de conceitos de marketing digital, arquitetura de informação e tantas outras técnicas que temos o privilégio de ler por aí.

Mas há algo que nos fornece um olhar muito mais crítico, mais global, mais efetivo. Ter uma visão mais ampla e metodológica é tão difícil de entender e principalmente por em prática. É nessa hora que precisamos de grandes mestres. Na Internet há muito blogueiro que tenho pra mim como grandes referências, mas mestres… estes são únicos por sua contribuição espontânea e apaixonada pela qual se dedicam. Eu tenho dois grandes mestres que sigo como “tiete de banda de rock”. Nino Carvalho e Carlos Nepomuceno. Ambos lecionam na FACHA (Faculdades Hélio Alonso – RJ) e leio absolutamente tudo o que eles escrevem. Com o Nino é até pior, ouço os seus podcasts metralhadoras no Gengibre até altas horas da noite.

Seus ensinamentos me fazem rever constantemente o meu aprendizado autodidata de leitura de blogs. O fato de eu não possuir uma graduação nunca me impediu contato estreito com ambos. Tenho um enorme privilégio de tê-los como grandes mentores e amigos.

E para dividir com vocês essa experiência, hoje eu trouxe um mini-entrevista com o Nino Carvalho, que me respondeu prontamente o meu convite para estrear essa série de artigos com grandes profissionais envolvidos com Internet. Espero que vocês aproveitem ao máximo o conhecimento desse profissional renomado. Caso não conheçam o seu trabalho acessem os links no fim do post e assistam também dois vídeos no fim do artigo com uma ótima entrevista para o site Nós da Comunicação.

Nino Carvalho no 7º #SouMaisWeb

Nino Carvalho no 7º #SouMaisWeb

Apresentação – Nino Carvalho é o fundador da Godfather Estratégias Sociais, uma consultoria especializada em Planejamento Estratégico de Inteligência e Marketing Digital. É jornalista, mestre em Administração e ainda tem pós-graduação em Marketing e Estratégia pelo Chartered Institute of Marketing, no Reino Unido. Coordena o curso mais cobiçado de pós-graduação em Gestão Estratégica de Marketing Digital, no Igec-Facha (RJ) e dá palestras e cursos em várias empresas e universidades do Brasil. Atuou como e-Creative Director para a América Latina e Caribe, no British Council. Concebeu e implementou programas de capacitação, estratégias e planos de e-marketing, em organizações como Souza Cruz, Embratel, L’Óreal, Wyeth (Centrum e Advil), CBTU, Ibeu, SporTV, Cadê, InPress Porter Novelli, StarMedia, University of Notre Dame Australia, Invent (onde foi Gerente de Comunicação dos sites Central de Desejos, Orelha Digital e Elefante), Forum PCs (iG), Furnas, XPress Comunicação, Comunique-se, Qualimetrica Pesquisa, entre outras.

Além disso, como você provavelmente sabe, o Nino idealizou e realiza mensalmente o #soumaisweb, um dos principais eventos de internet do país, que mudou a forma de como vivemos a experiência de participar de eventos sobre comunicação e marketing online.

CWD – Eu assisti a muitas das suas palestras e sempre ouço você falar que o consumidor não é mais o mesmo, que ele não se deixa mais enganar por armadilhas de marketing permissivo. No entanto é comum a gente ver situações onde usuários mal sabem configurar os próprios browsers, não navegam em abas, nem que se dermos um clique segurando a tecla Cltr abriremos o link numa nova janela, enfim, isso não nos parece uma contradição?

NC – Muito relevante a colocação. As duas coisas não se anulam. SIM, o consumidor está mais malandro em relação às marcas, mais exigente, mais promíscuo, menos leal e muito mais inclinado a reclamar. No entanto, essa tendência não é exclusiva da internet. Os consumidores estão mudando seu perfil mas certamente ainda falta um pouco para dominarem a tecnologia envolvida na mudança total da situação atual. Apesar de ainda terem dificuldades em ligar com comandos simples da web, eles têm mais acesso à informação e às experiências de outros consumidores. A diferença é que quando essa pessoa que já está mais seletiva quanto às empresas com as quais se relaciona TAMBÉM passar a usar bem a internet e dominar suas ferramentas, aí sim –acredito- estaremos mais próximos da revolução social, que seria quando esta comunidade de consumidores passasse a utilizar o máximo potencial da tecnologia para dar mais força e coesão à sua voz e seus anseios.

CWD – Depois do “Case de sucesso” do Barack Obama nas redes sociais houve uma enxurrada de candidatos querendo fazer o mesmo tipo de projeto para concorrer às próximas eleições usando sites como Youtube, Orkut e Twitter, como você vê esse comportamento e o que recomenda nesse momento?

NC – Esse movimento é esperado e se assemelha muito ao que as empresas estão passando. As organizações vêem cases como a Tecnisa, Boticario, Dell, EA Sports etc e falam “quero isso pra mim”. O modismo é comum e compreensível. O  case do Obama é uma espécie de case Tecnisa. Ou seja, alguém chegou, usou muito bem a internet, alcançou os objetivos, causou um puta impacto e agora todo mundo quer ser ele. Acho que isso tem a ver com o que o Thomaz Wood Jr (da FGV de SP) chama de Pop Management. Trata-se de uma patologia social na qual as empresas/políticos precisam destes exemplos de gurus e heróis para buscar o sucesso milagroso na luz ao final do túnel. Nesse “fogo” de ser o próximo Obama, acredito que vamos ver as maiores atrocidades online no ano que vem, quando teremos eleições pra diversos cargos. Penso que a maioria dos políticos vai se aproximar de empresas e profissionais de internet e dizer “quero que você faça aquilo que o Obama fez”. Muitos irão recorrer aos “sobrinhos”, enquanto outros estarão dispostos a investir seriamente no meio digital.

Se pensarmos que a maioria dos jovens das classes A, B e C do país estão na internet, bem como os principais influenciadores do país, fica fácil sugerir e afirmar que os políticos e os partidos TEM QUE estar no mundo digital. Assim, minha recomendação é que estas pessoas e organizações invistam de verdade na comunicação digital, contratando empresas ou profissionais de sucesso comprovado e/ou que trabalhem de maneira muito séria. Minha dica mais valiosa para os políticos talvez seja > foque em conhecer muito bem o ambiente online, planeje sua entrada na internet, pense em como você irá sustentar sua existência online (como vai responder às interações do internauta) e quais objetivos pretende atingir (ser eleito, ser conhecido, divulgar programa de governo?). Se a entrada deste polítco nas redes sociais não for muito bem gerenciada, inevitavelmente o tiro sairá pela culatra e os efeitos serão os mais devastadores quanto possível…

Nino Carvalho apresentando o 7º #SouMaisWeb

Nino Carvalho apresentando o 7º #SouMaisWeb

CWD – Empresas que se lançam em sites abarrotados de redes sociais correm o risco de não conseguir o efeito de aproximação esperado com o consumidor pelo volume de informação que podem ocorrer. O que você recomenda, que divida o projeto em fases lançando uma versão menos ousada para só depois ampliá-la?

NC – Acho que a abordagem em fases é, sem dúvidas, a mais recomendada para qualquer empresa. Entrar na internet irá afetar estruturalmente a organização. Vai mexer com a cultura da empresa. Assim, gerenciar o site e uma ou duas redes sociais já é trabalho suficiente por bastante tempo. As organizações devem entender que estar em uma rede social é interpretado como uma promessa de conversação com o cliente. Quanto mais perfis forem criados, mais promessas a empresa está fazendo. Assim, deve-se pensar com muita cautela como a empresa fará para gerenciar tantas interações diferentes (e em canais distintos!). Minha recomendação é que a companhia tente ter um site muito bem feito e escolha uma única rede social para começar. Tente focar naquela que mais tem a ver com seu público e faça um bom trabalho. Por exemplo, de que adianta eu ter um canal no YouTube se produzo um vídeo a cada 20 ou 30 dias? Como posso ter um perfil no Twitter se não tenho quem responda às interações ou se só consigo postar uma ou duas linhas por dia?

Nesse tipo de caso, mais vale ir crescendo organicamente. Vale dizer que, devido à imensa mudança cultural que uma entrada séria na internet irá causar, é necessário que a empresa entenda que terá que gerenciar não somente diálogos ou conversas com o público online, mas também precisará dar conta com o impacto interno disso tudo.

CWD – Em geral, qual o tamanho mínimo de uma equipe para uma empresa fazer um bom projeto e quais os profissionais necessários?

NC – Isso varia muito. Já vi casos de a empresa ter uma única pessoa e terceirizar 100% do trabalho online. Em termos genéricos, pensando que uma determinada organização pretende iniciar sua empreitada online com um site + um perfil no Twitter + um perfil em outra rede social focada em conteúdo (como slideshare ou YouTube) + ao menos uma newsletter mensal para seus cadastrados… bem, com isso em mente eu recomendaria que a empresa contasse (seja com recursos internos ou externos) ao menos com: 1 desenvolvedor sênior + um designer não-junior + 1 profissional de conteúdo/redes sociais, alem de um coordenador de projeto (que pode ser o próprio executivo contratante). Em geral, tenho percebido que o que mais influencia no tamanho da equipe é a quantidade de redes sociais que ela irá administrar e a quantidade de conteúdo que pretende gerar. Redes Sociais como Twitter e YouTube, por exemplo, demandam uma produção grande de conteúdo e interação.

CWD – Qual o principal problema ou fator de fracasso que você observa nas iniciativas online das organizações?

NC – Como está “na moda” ter site e perfis em redes sociais e as empresas estão vendo a internet como uma forma milagrosa de ter sucesso, dois problemas são muito comuns. O primeiro é o aparecimento viral de oportunistas (e os chamados “sobrinhos”). Esses pseudo-profissionais se fiam na ignorância dos leigos e vendem mundos e fundos sem jamais conseguirem entregar o Oasis que prometem. O outro ponto comum de problema é a entrada não-planejada na internet. Estar online e não se preparar para dialogar de igual pra igual com seus stakeholders é pior do que se esconder do cliente. Por isso, antes de investir na internet, as organizações precisam pensar se realmente estão preparadas e bem assessoradas para dar este passo.

Bem, é isso pessoal, até a próxima!
Espero que tenham gostado e que seja tão útil para a carreira de vocês quanto é para a minha!

Abraços

:D

Entrevista para o site Nós da Comunicação – parte #1

Entrevista para o site Nós da Comunicação – parte #2

The Godfather Estratégias Sociais

Twitter do Nino Carvalho

Site Nós da Comunicação

Sobre esse assunto leia também...

6 Comentários

Deixe o seu comentário!
  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Nino Carvalho and Stella_Ribeiro, Integra Minas. Integra Minas said: #IntegraMG Cristiano Web » Quer fazer projetos de qualidade? Comece tendo … http://migre.me/aZyt [...]

  2. [...] This post was mentioned on Twitter by Cristiano Santos and guga1975, Seu Blog Merece. Seu Blog Merece said: RT @cristianoweb #Autopost – Quer fazer projetos de qualidade? Comece tendo bons Mestres! – http://migre.me/aYJQ [...]

  3. YEAH! Só achei a leitura no fundo preto um pouco dificil.. não sei se é por causa do monitor desse micro que estou usando hoje.

  4. Parabéns pela entrevista, ficou muito boa e com gostinho de quero mais =D

    Abraços!
    E Parabéns pro Nino!

  5. Cara, boa a entrevista, mas fundo preto para ler textos longo assim é cansativo e complicado, dá uma olhada nisso.

    Abraço.

    • @lebravo e @weverson Obrigado pelos comentários, realmente depois de implementado o tema, eu me toquei a questão das cores e a dificuldade de leitura em textos mais extensos. Está na minha pauta de mudança para 2010! De qualquer forma é válida sugestão de vocês! Abraços!

      @yogodoshi Em breve teremos outros profissionais de várias áreas envolvidos em projetos web! Aguarde!

O seu comentário