Responda rápido e honestamente: quem aqui consegue zerar a caixa de e-mail todos os dias? Se sua resposta foi “sim”, parabéns, você é uma exceção! Mas se você respondeu “de vez em quando”, ou “nunca”, não se sinta mal. Você faz parte do grupo de pessoas que não conhecem a metodologia GTD ou não leram o livro “A arte de fazer acontecer” de David Allen da editora Campus.
O livro fala sobre a metodologia “Getting things done” ou simplesmente “GTD”, que efetivamente salvou a minha vida de webdesigner freelancer, ajudando a gerenciar as tarefas do meu dia-a-dia.
Eu sei, o título é provocativo e foi de propósito mesmo! Reconheço que preciso dar algumas explicações sobre o termo usado.
Bem, é muito simples. Depois da histórica vitória do Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, a atenção para a social midia se tornou uma enorme “Corrida do Ouro” para inúmeras empresas no Mundo todo e no Brasil também. Todas correndo contra o tempo para se posicionarem junto aos seus públicos, criando Blogs, seus perfis no Facebook, Twitter, Orkut e tantos outros serviços disponíveis na chamada “web 2.0″. E então eu me pergunto: isso é realmente bom?
Sim. Definitivamente é muito bom que as empresas tenham acordado para o fato que precisam ser (obviamente) relevantes ao seu público / consumidor. Mas ao mesmo tempo, sei que a maioria, da mesma forma como antes, no “estouro da bolha da Internet“, não estão preparadas mais uma vez.
Quem tem blog corporativo e pode afirmar que tem um relacionamento estreito com o seu consumidor? Sei que o número de empresas que responderão que sim será enorme, mas poderia ser mais. Muito, muito, muito, muito mais!
Tenho recebido um grande número de propostas de empresas querendo fazer um serviço semelhante ao que o “Chris Hughes” fez na campanha do Obama e me pergunto duas coisas:
Apesar do meu primeiro nome ser parecido, eu definitivamente não sou o Chris Hughes (ele é o co-criado do Facebook). As empresas sabem o quanto foi investido na campanha e qual era o tamanho da estrutura?
Será que nossas empresas estão preparadas para uma exposição tão grande como essa, e como reagirão quando algo der errado?!
Foi pensando nessas questões é que resolvi ler o livro do Fábio Cipriani – “Blog Corporativo” da editora Novatec. E digo que todo empresário deveria ter uma edição na sua mesa de trabalho e antes de pegar o telefone ou o mouse e me contactar querendo uma campanha “pra ontem” de social midia.
Blog corporativo é algo sério e precisa ser bem planejado e trabalhado! O blog, na minha opinião, ainda é o serviço de social midia mais completo, seja pelo facilidade de uso, tanto para que escreve ou para quem o lê; ou pelas tags, categorias, comentários e tantos outros artifícios que enriquecem a informação, que é o centro da relação entre o usuário e autor. (Leia o artigo do jornalista Luiz Carlos Azenha sobre essa relação citando o polêmico caso do blog corporativo da Petrobras)
O livro é de fácil leitura, mesmo com muitos termos técnicos, notas e informações relacionadas o autor consegue dar ritmo e empolga o leitor a começar a criar o seu blog enquanto lê.
Pra mim, o seu material mais valioso está no capítulo 4 (Como vender o blog: retorno sobre investimento). Nele o autor faz um verdadeiro raio-x que serve de argumento infalível para qualquer empresário que deseja criar o seu primeiro blog, tendo como base uma excelente medição do investimento. Por razões óbvias, não disponibilizarei as tabelas de ROI aqui, estimulando aos interessados que comprem o livro (O Fábio vai me agradecer por isso!!!). Mas posso falar da ação da empresa Tecnisa, que foi o primeiro blog corporativo do mercado imobiliário brasileiro (2006) e que gerou uma presença forte na web, além de conquistar espaço na mídia off-line. Recentemente, acompanhei a conquista dessa empresa, ao ser a primeira a vender um apartamento pelo Twitter.
No livro também encontramos muitas citações de CEO’s Blogs e fatos históricos sobre grandes ações iniciadas em blogs corporativos. Eu compilei alguns dados importante e espero que vocês gostem.
Citações:
“Contratar alguém para lidar com os posts do blog é como contratar alguém para escrever o seu e-mail.“(Jonathan Schwartz – Sun Microsystems)
“Possuir seu próprio blog será tão obrigatório quanto possuir e-mail ou um telefone, quem não tiver um blog se tornará inútil.” (Jonathan Schwartz – Sun Microsystems)
Fatos importantes:
Walt Disney utilizou a ferreamenta dos blogs para a a comunicação interna de funcionários.
O 1º CEO Blog foi “Paul Otellini (Intel – 2004). No Brasil foi Emilson Alonso (HSBC- 2004)
Robert Scoble (Microsoft) seus textos o tornaram porta-voz dos clientes com os produtos da empresa.
Informações técnicas importantes:
No blog a relação é de pessoa-pessoa, e não pessoa-empresa. Isso deixa os diálogos mais sinceros, abertos e confiáveis;
Ser relevante ao seu conteúdo SEMPRE;
Seja provocativo, bem-humorado;
Evite entregar toda a ideia, provoque a curiosidade dos leitores;
Escolha um bom título do post;
Responda a “todos os comentários”;
Faça comentários em outros blogs de forma conveniente e com relevância; …
Ao terminar de ler o livro, fiquei com a sensação imediata de rever o formato do meu blog. Tanto na linha editorial, quanto no aspecto visual e tenho certeza que vou colher bons frutos do que li nele. Já estou projetando um novo formato, planejando tudo que aprendi no livro.
Quero terminar essa resenha com uma citação de Robert Scoble (ex-blogueiro da Microsoft em seu manifesto sobre blogs corporativos) – “Diga a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade. Se o seu concorrente tem um produto melhor que o seu, crie um link para ele. Ao menos você deveria, porque nós iremos descobrir isso de qualquer maneira.”
Abraços, e espero vocês num próximo artigo! Até lá!
Olá pessoal, hoje na leitura diária de feeds RSS no meu Google Reader, li um post no formato “publieditorial” do Manoel Netto sobre o serviço de recolocação profissional da Monster.com e sua nova versão para o público brasileiro, denominada como Monsterbrasil.com.
O autor fez uma análise do serviço web da empresa e convida outros usuários a fazer o mesmo para concorrer à um exemplar do livro “A cabeça de Steve Jobs” da editora Agir. Uma ação bem interessante da empresa, que dessa forma dissemina o seu serviço, que era pouco conhecido aqui no Brasil e de quebra leva um “lote de beta-testers” para avaliar o produto. O interessante é que os usuários serão os maiores beneficiados, e isso na minha humilde opinião, é o que interessa de fato.
Então eu resolvi participar da brincadeira (bem séria!!) e segue então a minha breve análise ao utilizar o serviço:
Entrando no sistema – tudo rápido e fácil
Cadastro simples e resposta bem rápida do servidor. O e-mail de resposta chegou quase que imediatamente.
Cadastro - primeiro problema.
Sempre me colocando no lugar do usuário, acredito que 9 em 10 pessoas teriam um pouco ou bastante dificuldade de preencher o cadastro por causa do tamanho do formulário (vide imagens no fim do post), que não foi subdividido em fases separadas.
Outro ponto foi entender um pouco a interface que permitia que as informações preenchidas poderiam ser visualizadas tanto no currículo quanto no perfil. Levei um tempo para entender isso dado ao fato do tamanho do formulário.
O formato não estimula o preenchimento total dos campos. E isso não minha opinião é fatal, por se tratar do “epicentro” do site. Se fosse criadas fases com assuntos agrupados e uma time-line mostrando o status do processo, tudo ficaria mais fácil e menos entendiante.
Outro ponto negativo foi o fato do formulário não aceitar o uso da tecla “TAB” para pular os próximos campos.
Um ponto que ajudaria muito o cadastro seria o o uso da busca do endereço pelo CEP, tão difundido na Internet, mas que não foi utilizado aqui.
Envio de Currículo – Não entendi muito bem
Outro momento em que fiquei com muita dúvida foi no envio do currículo. Para mim era uma ação do tipo “anexe o seu currículo” buscando o arquivo na sua máquina e pronto. Mas na verdade havia mais uma vez um novo formulário com “parte” dos dados preenchidos anteriormente com a opção de edição e ao final aparecia o campo para buscar o arquivo na sua máquina para anexá-lo.
Nesse quesito, é uma questão pessoal minha, eu normalmente disponibilizo documentos em formato PDF por serem bem mas difícil de alterá-los. Arquivos no formato Word eu sou meio temeroso em enviar. Mas essa questão é individual minha mesmo e não acredito que estejam errados nesse ponto, mesmo porque não vejo muito essa opção por aí também.
Havia também termos em “Inglês” e em “Português” ao mesmo tempo em alguns campos, como “location”, “yes”, “no”. Tudo bem, isso não implica no uso, mais fica muito inconsistente não?!
Busca de vagas - Vamos ao que interessa.
Depois de preencher vários dados, deixar outros tantos de fora, conferir novamente os dados, subir anexo, vamos fazer a busca que é o objetivo central serviço. O Manoel Netto comentou que haviam ainda poucos cadastros, tanto de usuários (profissionais) quanto de empresa e realmente, pude constatar que hoje eu não teria uma vaga de webdesigner a concorrer e portanto não conseguiria ser recolocado, contrariando o “slogan” do site e não me apaixonaria.
No geral, acho que é mais um canal para os profissionais em busca de uma vaga. Todos os pontos de problemas que mencionei são fáceis de serem ajustados e não significa que o serviço não será bem-sucedido. Vamos aguardar para ver, quem sabe uma empresa não me procura vindo pelo Monsterbrasil.com.
Seguem algums fotos das telas com o meu cadastro e os problemas mencionados! (utilize as setas do teclado para visualizar e trocar de imagens).
É isso pessoal, espero que tenham gostado, abraços e até a próxima!
Filed Under (Pesquisa, Resenhas) by Cristiano Santos on 22-02-2009
“Design é função, não forma.”
Essa frase citada no livro, é sem dúvida nenhuma a síntese de como pensa uma das mentes mais brilhantes do mercado da indústria tecnológica que já existiu. Os conceitos da cabeça desse homem mudou o comportamento de toda uma geração. Ao contrário do que pensam vários fanboys por aí, eu tenho consciência de que ele não fez tudo isso sozinho. Bill Gates tem uma enorme parcela na revolução mundial causada pelos computadores pessoais e junto com Jobs, seja concorrendo ou em parceria como hoje, o Mundo não é mais o mesmo depois do que foi feito nos últimos 40 anos.
Antes de fazer a minha resenha sobre o livro quero mostrar como e quando conheci Steve Jobs e sua Apple.
Em 2001, um pouco antes do atentado ao World Trade Center, eu fui trabalhar como operador de telemarketing num curso web numa empresa que já não existe mais justamente para subsidiar o meu curso. Eu era muito novato e pouco sabia sobre Internet e computadores. Fiz rapidamente amizade com os instrutores da casa, que pelo fato de eu ser funcionário estavam sempre me mostrando as tendências e variações do mercado web da época. E foi lá que eu vi o iMac pela primeira vez. Fiquei encantado com aquela obra de arte! Ele tinha uma cor que eu não conseguia destinguir. O mouse era estranho de manipular e o menu era em cima, no topo da tela. Confesso que nunca esqueci a sensação de usá-lo naquele dia. Foi lá também que um dos instrutores, vendo a minha admiração pelo iMac me emprestou uma fita VHS (isso mesmo! Eu não tinha DVD player) do filme “Pirates of Silicon Valley” que contava a história da criação da Apple por Steve Jobs e Steve Wozniak e o surgimento da Micro-soft (era com hífem na época) de Bill Gates, e como o Mundo foi raptado pelos microcomputadores e suas engenhocas.
O filme começa com o lendário comercial da Apple de lançamento do Macintosh em 1984 dirigido pelo Ridley Scott fazendo alusão ao livro “Nineteen Eighty four (1984)” de George Orwell que mostrava a realidade de uma sociedade oprimida por um partido autoritário que manipulava os meios de comunicação. A Apple mudou totalmente a maneira como as pessoas vêem o mundo, e principalmente como interagem e se comunicam. E nisso Jobs foi o pioneiro. Bill Gates foi o grande empreendedor e com uma visão comercial aguçadíssima e se não houvessem os dois, talvez um Mundo fosse diferente hoje, mas quem vai saber não é mesmo?
Afinal: louco ou gênio? Detalhista ou meritocrático?
No livro, ao contrário do filme, começa justamente quando Jobs retorna à Apple em 1996 e inicia a reformulação da empresa quando ela estava enfrentando uma grande crise sem precedentes. Seu trabalho foi árduo, longo e penoso. O que mais me chamou a atenção no livro foi o foco que Jobs teve nessa época. A Apple possuía uma grade de produtos enorme e de difícil assimilação pelo consumidor. E foi então que Jobs começou um trabalho de infinitas entrevistas com as equipes de todos os produtos da empresa em busca do refinamento. E uma das mais célebres atitudes quando concluiu o trabalho foi traçar de forma absolutamente simples a nova linha de produtos da Apple. Leia um trecho do livro:
[...] “Jobs desenhou uma tabela muito simples de dois por dois no quadro branco. No topo escreveu ‘Consumidor’ e ‘Profissional’, e na lateral ‘Portátil’ e ‘Desktop’. Aí estava a nova estratégia de produtos. Apenas quatro máquinas: dois notebooks e dois desktops, direcionados a usuários profissionais ou consumidores”. [...]
Com essa atitude, Jobs que ainda era considerado um CEO interino, remou contra uma maré de direcionamentos que quase levaram a Apple à falência por causa da sua ausência de 11 anos. Se não fosse o seu foco em criar soluções simples voltados para o usuário talvez a empresa não estaria mais no mercado hoje em dia. Seu empenho aliado à um temperamento explosivo geraram grandes citações mas também criaram toda uma atmosfera em torno da sua personalidade onde termos como “louco” e “gênio” convivem na mesma pessoa.
Na minha humilde opinião, Jobs é um intelectual à frente do seu tempo e não tem a menor paciência com pessoas em que seu nível de inteligência seja abaixo do seu. Mas uma contradição incrível da história é que ele faz justamente aparelhos absolutamente fáceis para pessoas desse nível ou menos. Jobs não é formado. Ele não entende de engenharia de computadores, não é designer, tampouco é publicitário, isso o faz ser o consumidor técnico mais exigente do planeta. Ele acaba fazendo o papel de porta-voz das pessoas com menos conhecimento tecnológico possível, para que qualquer coisa que ele crie seja facilmente utilizada por uma pessoa comum. E quem sofre com isso são os engenheiros, designers e publicitários da Apple que sofrem com sua explosões de raiva quando algo não dá certo!
A busca do menos.
O livro possui passagens memoráveis de Jobs (citadas por ele e outros pensadores) em busca da simplicidade nos produtos que produziu, mas sem deixar a qualidade de fora. Frases como “tente experimentar um produto durante 20 minutos, se desistir de usá-lo nesse período algo está errado”, “simplicidade é complexidade resolvida”, ou “um grande carpinteiro não vai usar madeira ordinária para a parte de trás de um armário, ainda que ninguém a veja”, fazem da Apple ser a empresa que mais cria na sociedade o desejo de possuir os seus produtos.
As maiores referências de Jobs são Henry Ford, Thomas Edison e Edwin Land e freqüentemente ele faz comparação da tecnologia com a arte onde acredita que tudo é uma questão de boa observação do que desejam as pessoas. Uma boa frase que remete à esse pensamento é “criatividade é apenas conectar coisas”. Outra grande frase que ficou famosa foi “os bons artistas copiam, os grandes artistas roubam” de Pablo Picasso e foi citada por Jobs na época da visita paga à empresa XEROX que deu de bandeja a invenção da interface gráfica e o mouse o que hoje em dia achamos absolutamente normal, mas na época foi completamente descartada como lixo pela empresa. Com essa tecnologia o acesso à informação ficou mais do que simplificado, ficou intuitivo e prazeroso, e disso Jobs entendia muito bem.
O legado de Steve Jobs
Mas meus filhos nasceram onde tudo que Jobs criou é comum. Faz parte de nosso cotidiano o hábito de ir fotografar ou filmar um evento e depois editá-lo no seu próprio computador, ou comprar uma música na Apple Store e não o CD inteiro porque você apenas gostou de uma das faixas do álbum, ou usar um celular com tecnologia Touch Screen onde você pode baixar vários aplicativos para beneficiar o seu dia à dia. Isso sem falar dos inúmeros filmes como Monstros SA, Procurando Nemo e Wall-e que são sucessos de bilheteria e possuem espaço garantido na estante no quarto das crianças. Tudo isso são frutos da “cabeça” de quem percebeu o quanto a tecnologia pode ser aliada não só para a automação de certas atividades, mas como também para o prazer da comunicação e da integração entre as pessoas. O livro para mim serve para mostrar o quanto erramos quando dizemos que o presente é inovador e inventivo, com novas tecnologias sendo criadas à cada minuto. Para mim a inovação está no passado, mais precisamente em 1976 na garagem da casa de Steve Jobs onde o presente, ou melhor, o nosso futuro foi escrito.
Filed Under (Pesquisa, Resenhas) by Cristiano Santos on 22-02-2009
“Design é função, não forma.”
Essa frase citada no livro, é sem dúvida nenhuma a síntese de como pensa uma das mentes mais brilhantes do mercado da indústria tecnológica que já existiu. Os conceitos da cabeça desse homem mudou o comportamento de toda uma geração. Ao contrário do que pensam vários fanboys por aí, eu tenho consciência de que ele não fez tudo isso sozinho. Bill Gates tem uma enorme parcela na revolução mundial causada pelos computadores pessoais e junto com Jobs, seja concorrendo ou em parceria como hoje, o Mundo não é mais o mesmo depois do que foi feito nos últimos 40 anos.
Antes de fazer a minha resenha sobre o livro quero mostrar como e quando conheci Steve Jobs e sua Apple.
Em 2001, um pouco antes do atentado ao World Trade Center, eu fui trabalhar como operador de telemarketing num curso web numa empresa que já não existe mais justamente para subsidiar o meu curso. Eu era muito novato e pouco sabia sobre Internet e computadores. Fiz rapidamente amizade com os instrutores da casa, que pelo fato de eu ser funcionário estavam sempre me mostrando as tendências e variações do mercado web da época. E foi lá que eu vi o iMac pela primeira vez. Fiquei encantado com aquela obra de arte! Ele tinha uma cor que eu não conseguia destinguir. O mouse era estranho de manipular e o menu era em cima, no topo da tela. Confesso que nunca esqueci a sensação de usá-lo naquele dia. Foi lá também que um dos instrutores, vendo a minha admiração pelo iMac me emprestou uma fita VHS (isso mesmo! Eu não tinha DVD player) do filme “Pirates of Silicon Valley” que contava a história da criação da Apple por Steve Jobs e Steve Wozniak e o surgimento da Micro-soft (era com hífem na época) de Bill Gates, e como o Mundo foi raptado pelos microcomputadores e suas engenhocas.
O filme começa com o lendário comercial da Apple de lançamento do Macintosh em 1984 dirigido pelo Ridley Scott fazendo alusão ao livro “Nineteen Eighty four (1984)” de George Orwell que mostrava a realidade de uma sociedade oprimida por um partido autoritário que manipulava os meios de comunicação. A Apple mudou totalmente a maneira como as pessoas vêem o mundo, e principalmente como interagem e se comunicam. E nisso Jobs foi o pioneiro. Bill Gates foi o grande empreendedor e com uma visão comercial aguçadíssima e se não houvessem os dois, talvez um Mundo fosse diferente hoje, mas quem vai saber não é mesmo?
Afinal: louco ou gênio? Detalhista ou meritocrático?
No livro, ao contrário do filme, começa justamente quando Jobs retorna à Apple em 1996 e inicia a reformulação da empresa quando ela estava enfrentando uma grande crise sem precedentes. Seu trabalho foi árduo, longo e penoso. O que mais me chamou a atenção no livro foi o foco que Jobs teve nessa época. A Apple possuía uma grade de produtos enorme e de difícil assimilação pelo consumidor. E foi então que Jobs começou um trabalho de infinitas entrevistas com as equipes de todos os produtos da empresa em busca do refinamento. E uma das mais célebres atitudes quando concluiu o trabalho foi traçar de forma absolutamente simples a nova linha de produtos da Apple. Leia um trecho do livro:
[...] “Jobs desenhou uma tabela muito simples de dois por dois no quadro branco. No topo escreveu ‘Consumidor’ e ‘Profissional’, e na lateral ‘Portátil’ e ‘Desktop’. Aí estava a nova estratégia de produtos. Apenas quatro máquinas: dois notebooks e dois desktops, direcionados a usuários profissionais ou consumidores”. [...]
Com essa atitude, Jobs que ainda era considerado um CEO interino, remou contra uma maré de direcionamentos que quase levaram a Apple à falência por causa da sua ausência de 11 anos. Se não fosse o seu foco em criar soluções simples voltados para o usuário talvez a empresa não estaria mais no mercado hoje em dia. Seu empenho aliado à um temperamento explosivo geraram grandes citações mas também criaram toda uma atmosfera em torno da sua personalidade onde termos como “louco” e “gênio” convivem na mesma pessoa.
Na minha humilde opinião, Jobs é um intelectual à frente do seu tempo e não tem a menor paciência com pessoas em que seu nível de inteligência seja abaixo do seu. Mas uma contradição incrível da história é que ele faz justamente aparelhos absolutamente fáceis para pessoas desse nível ou menos. Jobs não é formado. Ele não entende de engenharia de computadores, não é designer, tampouco é publicitário, isso o faz ser o consumidor técnico mais exigente do planeta. Ele acaba fazendo o papel de porta-voz das pessoas com menos conhecimento tecnológico possível, para que qualquer coisa que ele crie seja facilmente utilizada por uma pessoa comum. E quem sofre com isso são os engenheiros, designers e publicitários da Apple que sofrem com sua explosões de raiva quando algo não dá certo!
A busca do menos.
O livro possui passagens memoráveis de Jobs (citadas por ele e outros pensadores) em busca da simplicidade nos produtos que produziu, mas sem deixar a qualidade de fora. Frases como “tente experimentar um produto durante 20 minutos, se desistir de usá-lo nesse período algo está errado”, “simplicidade é complexidade resolvida”, ou “um grande carpinteiro não vai usar madeira ordinária para a parte de trás de um armário, ainda que ninguém a veja”, fazem da Apple ser a empresa que mais cria na sociedade o desejo de possuir os seus produtos.
As maiores referências de Jobs são Henry Ford, Thomas Edison e Edwin Land e freqüentemente ele faz comparação da tecnologia com a arte onde acredita que tudo é uma questão de boa observação do que desejam as pessoas. Uma boa frase que remete à esse pensamento é “criatividade é apenas conectar coisas”. Outra grande frase que ficou famosa foi “os bons artistas copiam, os grandes artistas roubam” de Pablo Picasso e foi citada por Jobs na época da visita paga à empresa XEROX que deu de bandeja a invenção da interface gráfica e o mouse o que hoje em dia achamos absolutamente normal, mas na época foi completamente descartada como lixo pela empresa. Com essa tecnologia o acesso à informação ficou mais do que simplificado, ficou intuitivo e prazeroso, e disso Jobs entendia muito bem.
O legado de Steve Jobs
Mas meus filhos nasceram onde tudo que Jobs criou é comum. Faz parte de nosso cotidiano o hábito de ir fotografar ou filmar um evento e depois editá-lo no seu próprio computador, ou comprar uma música na Apple Store e não o CD inteiro porque você apenas gostou de uma das faixas do álbum, ou usar um celular com tecnologia Touch Screen onde você pode baixar vários aplicativos para beneficiar o seu dia à dia. Isso sem falar dos inúmeros filmes como Monstros SA, Procurando Nemo e Wall-e que são sucessos de bilheteria e possuem espaço garantido na estante no quarto das crianças. Tudo isso são frutos da “cabeça” de quem percebeu o quanto a tecnologia pode ser aliada não só para a automação de certas atividades, mas como também para o prazer da comunicação e da integração entre as pessoas. O livro para mim serve para mostrar o quanto erramos quando dizemos que o presente é inovador e inventivo, com novas tecnologias sendo criadas à cada minuto. Para mim a inovação está no passado, mais precisamente em 1976 na garagem da casa de Steve Jobs onde o presente, ou melhor, o nosso futuro foi escrito.